Queridinha

segunda-feira, 12 de outubro de 2026

"Os escritos de Blanca Mares" do escritor Roberto Mares - As cartas que nunca chegaram !!!

 



Recebi um livro pelo correios, simples, capa minimalista,  verde com um retrato antigo desenhado na capa, intitulado " Os escritos de Blanca Mares" de Roberto Marcos,  um escritor amigo aqui de Minas Gerais.

Uma capa que me interessaria à primeira vista, trazendo uma memória afetiva, coisas de quem coleciona memórias.

Nas primeiras páginas  me encontro mergulhada num romance , uma chuva que não passa, um suicídio já no primeiro capítulo, logo pensei: " Vou chorar horrores", mas a história te envolve e você se rende... Lá vão 172 páginas de curiosidade e apego ao personagem "O velho Tussa", que mais parece aquele tio da família que com quem  a gente senta , conversa e damos boas risadas, sim também aquele tio louco típico da cidade pequena, que é justamente o seu tio.

A sua memória ficou no passado, um amor transcendental, ele escreve cartas para sua esposa, que por algum motivo a leva a uma cidade no sul da Bahia, mas há um detalhe que nos faz fervilhar a mente, ela está morta, mas ele acredita que ela está viva, e passa anos escrevendo para ela, enviando-as por intermédio de uma ferrovia inativa, no museu dos ferroviários... Escritos que nunca chegaram ao seu destinatário. A cidade também compra a ideia, as cenas são descritivas, uma literatura sensorial e íntima,  texto poético e com trechos cômicos.

Imagine uma boa conversa com uma senhorinha numa janela desses casarões antigos, você entra , toma café e come pão de queijo, é essa sensação que temos quando lemos essa obra espetacular, o narrador nos faz inteirar às rotinas da cidade, uma pitada de regionalismo e pronto, você não se desgruda do livro, e no fim, você descobre que a vida é como uma colcha de retalhos onde todos nós costuramos juntos, nos amontoamos dentro uns dos outros, há conexões que passam por despercebidas e as nossas histórias pessoais , são pessoais para todos nós.

A cumplicidade, a amizade, as travessuras de estudantes e até os desgovernos são retratados no romance como se fôssemos moradores dessa pequena cidade  acalorada e chuvosa, uma chuva que une a todos nós em tempos de enchentes,  metáforas que nos acolhem com reflexões , palavras que fazem tic tac dentro de nós, talvez o autor queira que pensemos  nos personagens com se fossem nossos tios, vizinhos, tias, irmãs, filhos ou até nós mesmos quando nos prendemos  à um passado e nos afeiçoamos à uma mentira porque nos parecem mais fácil de lidar  com ela do que com  a morte ou desprezo do outro, que na obra essa mentira  é vívida  e  materializada nesse amor imortalizado em escritos, é provável que todo esse afeto traga uma certa acomodação.

Na verdade, essa obra nos entrega pensamentos muito profundos,  um passado que temos saudades mas que a vida nos leva à outros lugares dos quais não queremos confrontar, mas também  nos deparando com personagens que estão no nosso dia-a-dia,  que estão nas esquinas, nas janelas trancadas, nas varandas que já foram mais habitáveis, essas memórias afetivas permeiam o nossa mente.

A morte pode ser devastadora,  sentir a falta de alguém trava alguns novos caminhos e nos mantém presos ao passado,  algumas vezes matamos dentro de nós a esperança e deixamos o medo de vivenciar a verdade nos prive de um futuro  e evitamos  vivenciar tantas outras aventuras, estarmos presos na saudade descarta a possibilidade de uma boa história.

Deixemos o passado apenas para habitar as nossas memórias, deixemos que a vida nos responda com alegria de estarmos com as pessoas que amamos mesmo que outras tenham nos deixado, sendo por meio de uma morte ou simplesmente apenas por terem se afastado de nós.

A vida é tão linda vista de perto, é importante nos colocarmos num lugar de protagonistas, nem sempre a vida nos dará o caminho mais fácil mas facilita acreditarmos que o mundo têm outros horizontes a medida que caminhamos.

Essa obra me fez mergulhar nas minhas memórias e perceber que o passado é apenas uma porta aberta  mas podemos nos afeiçoamos às dores mal curadas, o passado deve apenas nos servir de aprendizado e causa do que vivemos no agora.

A alegria é a coragem de seguir a diante , sem medo e sem censuras, porque no fim de todas as histórias que vivemos, somos nós  que decidimos a nossa  história  e de como ela termina, e será ela termina???




domingo, 11 de outubro de 2026

Entrevista para Folha de Sabará sobre o livro infantil " UM DIA DE FADA"





  1 -Quem é você além da escritora, e como a literatura entrou na sua vida? (Nesta primeira pergunta, me fala sua origem e se vc hoje mora em Sabará, se não me fala quela seu envolvimento aqui na nossa cidade, e fala também sobre o convite para participar da Flis)

 Marina:  - Além da escritora, eu sou a mãe, sou a filha , irmã e amiga.
Sou a mulher que se viu escrevendo diários para aliviar a mente que vive cheia de histórias, memórias e filosofias. 
A literatura é a arte de dizer aos outros quem somos de um jeito criativo. A literatura me veio com exemplos de meus pais, que me ensinaram a ler , escrever, e assim como eles, aprendi a entender o mundo através da leitura.1- Eu sou de Araxá, triângulo mineiro, moro em Sabará há um pouco mais de  vinte anos, tenho cinco filhos , a minha formação é em educação infantil, fiz letras em Araxá e vim para cá para estudar, e por aqui eu fiquei, fiz teatro com Chiquinho da TV muro, com a Troupe Pirulinga, fiz trabalhos voluntários com crianças e adolescentes como contadora de história e teatro... A cidade me abraçou, e eu recebi esse acolhimento, morar aqui é reconhecer a história de Minas Gerais, estar numa cidade histórica como Sabará é estar diante da nossa história enquanto nação construída com muito trabalho e luta de quem ergueu igrejas, ruas de pedras, e casarões nos mostrando o quanto devemos agradecer a nossa ancestralidade... Somos frutos de tudo o que eles construíram. Participar da Flis, é saber  que minha escrita alcançou leitores, a Flis é um evento brilhante em Sabará, que abraça a cultura e a literatura, estar aqui, é estar entre os escritores que também amamos e que se conectam com essa missão solitária de escrever, porque escrever é um ato solitária mas que trás para todos nós reflexões coletivas. 

2 - Como nasceu “Um Dia de Fada”? Houve uma história, uma experiência ou um sentimento específico que despertou em você a vontade de escrever esse livro?

Marina: - Um dia de fada, se tornou a história de muitas pessoas, porque cada um se vê num personagem a partir do momento que há uma conexão com sua própria história, comigo não foi diferente como escritora, eu me vejo nos personagens, e a história se desenvolveu a partir da minha vivência e das pessoas que convivem comigo. A literatura tem essa troca de experiências que buscamos nos personagens...A história nasceu enquanto trabalhava num projeto  na educação infantil, eu vi que algumas crianças viviam a violência e tinham a necessidade de se expressarem e a história seria uma chave que pudesse abrir essa porta entre a fantasia e a realidade.


3 - Por que você escolheu o universo das fadas e da fantasia para conversar com as crianças sobre um assunto tão difícil como a violência doméstica?

 Marina: - A literatura infantil tem uma linguagem de fácil percepção, ela é um abraço para as crianças em qualquer momento de suas vidas, através de histórias que as façam perceber o mundo , elas se expressam e isso nos ajuda na sua educação, e a escolha de um conto de fadas foi como usar essa chave mágica para esse cuidado, a violência como ela sendo estrutural, é difícil acessar sem uma linguagem que façam as crianças compreenderem e se expressarem. A literatura infantil é uma ferramenta importante para fazer nossas crianças refletirem e proporciona  boas memórias, a infância é a fase em que nossas memórias se tornam parte de quem seremos  na fase adulta, então ,falar sobre as dores , não é tão fácil , mas o ato de usar uma linguagem fantástica ajuda nesse processo de "falar" com o coração.


4 - A relação entre a mãe fada e Cila, a fada aprendiz, é marcada pelo amor e pela união. O que essa relação representa para você dentro da história?

 Marina: -A relação de amor maternal na história , esse amor incondicional nos ajuda a entender a nossa própria história e nossos próprios pensamentos e sentimentos, esse amor é importante para que nós  nos sentirmos pertencentes no nosso mundo. Essa relação entre mãe e filha traz uma cumplicidade feminina, esse entendimento mútuo de sentimentos, emoções muito similares, esses sentimentos nos fazem sentir esse pertencimento e confiança nessa relação. No meu olhar essa relação é importante para que ambas as personagens possam sentir a força que cada uma possui, que não estamos sós em nossas lutas, que o cuidado uns com os outros nos fazem evoluir enquanto seres humanos.


5 - Cila precisa encontrar coragem para tentar salvar a própria mãe de uma “prisão mágica”. O que essa prisão simboliza e que mensagem você espera que a criança compreenda nessa jornada?

 Marina:  - A prisão mágica é esse isolamento.
A prisão pode ser também simbolizada como uma violência psicológica, o fato de não olharmos para nós mesmos com honestidade, é como uma mutilação íntima que fazemos a nós mesmos e com os outros, a prisão nos impede de nos vermos e vermos os outros , porque é uma barreira invisível.
Na história a criança percebe que a prisão impede a mãe de agir, e que só o amor pode ser capaz de ajudar nesse conflito...E a criança ele entende o quanto o amor nos ajuda a superar as nossas próprias dificuldades, do olhar para si mesma e se ver como um ser iluminado... É uma percepção muito sutil, mas que trabalha em nossas mente a favor desse autoconhecimento, que muitas vezes nós mesmos nos colocamos numa prisão mágica quando não acreditamos em nós mesmos.
Para a criança a prisão mágica é uma forma de impedimento de atingirmos os nossos objetivos.
Eu espero que as crianças possam se verem como protagonistas de suas próprias histórias, que criem suas histórias vivenciando uma infância feliz e criativa.


6 - Como foi escrever sobre violência doméstica para crianças sem retirar delas a delicadeza, a fantasia e a esperança próprias da infância?

Marina: - Escrever sobre violência doméstica foi muito difícil porque é um assunto muito delicado, complexo, não pode ser dito ou escrito sem esse cuidado, é preciso palavras sem criar mais dores do que já criado, e para escrever para crianças sobre violência doméstica é preciso entrar no mundo delas, ter um cuidado com essa mente que ainda está em formação, usar palavras que tragam aconchego, esperança e amor, esse acolhimento que a criança precisa para entender que a amamos e queremos cuidar delas com todo esse  amor e compreensão que merecem. As crianças vivenciam as histórias com encantamento, elas reconhecem a magia, entram na história e se alegram com os personagens, escrever dentro  dessa fantasia facilita a  reflexão delas sobre muitos momentos que vivem sem o uso de termos ou palavras difíceis, quanto mais suave e dócil, melhor será essa reflexão sem tocar de forma dolorosa a reflexão que queremos alcançar.

7 - Você diz que, durante uma mediação de leitura, precisamos estar atentos aos sinais emitidos pelas crianças. O livro já provocou alguma reação, pergunta ou relato de uma criança que tenha marcado você?


 Marina:  -Algumas pessoas que leram a história se viram através dos personagens, e se reconheceram como pessoas que superaram suas diversidades através desse autoconhecimento e cuidado com a sua autoestima, se viram como pessoas boas num processo de aprendizado, as crianças que leram e falaram sobre o livro, elas gostaram da história, se viram como a Cila, que querem brilhar como a personagem, viram uma motivação, perceberam a violência, comentaram sobre o que já viveram...então, eu vejo a história como uma história terapêutica, eu fico feliz ao ter essa resposta dos leitores, eu me sinto motivada em mostrar ao leitor que existem histórias lindas a serem lidas e vividas.

8 - Até onde deve ir o papel de quem faz a mediação dessa leitura? Como pais, professores e educadores podem acolher uma criança quando percebem que aquela história despertou algo mais profundo?

 Marina: - A criança sempre se desperta para histórias, ela sempre está disposta a ouvir...A infância é a fase mais importante da vida de todos nós, porque é o começo da nossa história, é quando estamos vulneráveis aos conhecimentos que chegam, é o começar a pensar por si, a se ver através do olhar do adulto,   durante a mediação da história deve haver a confiança mútua, a criança precisa ver que pode falar o que quiser, falar sobre o que achou da história, a parte que ela não gostou,  que personagem ela gostou, se ela tem amigos ou  pessoas conhecidas que se parecem com algum personagem, é uma conversa simples sobre o olhar da criança, são perguntas que deverão ser  orientadas sem persuasão... Uma mediação dócil mas analítica, sem constranger, e tudo que acontecer depois disso é sempre fruto dessa percepção, é preciso deixar claro para a criança que ela está segura ao seu lado, e agir apoiando a criança positivamente sempre ,é importante  estar ao lado da criança para ouvir.


9 - Amor, amizade, perdão e sensibilidade aparecem como elementos importantes da obra. Quando falamos de violência doméstica, como abordar o perdão sem transmitir à criança a ideia de que ela deve aceitar, esconder ou normalizar uma violência?



 Marina: 9 - Para qualquer um perdoar é uma atitude difícil, principalmente quando há uma agressão que vai além do que imaginamos.
Um dia de fada, é um livro que vai além , porque é uma história sobre recomeços, do olhar para dentro.
A violência é estrutural, e deve ser entendida em todas as suas formas, em todos os seus aspectos.
Quando eu falo no livro sobre o perdão também entendemos que o primeiro a ser beneficiado pelo perdão , somos nós mesmos.
O perdão não apaga o passado, e nem impede outros erros, ele só mostra a nós mesmos quem somos, se somos capazes de perdoar, e que   há consequências sobre tudo que fazemos , a punição do pai na história, é estar preso na a própria prisão que ele criou, que ele só estaria livre quando percebesse o mal que ele causou, e sentir o peso da consequência.
É importante que as crianças entendam que o perdão não é aval para continuar com os erros, por isso é preciso mostrar que todo mal que fazemos a alguém, somos responsáveis por isso, estar preso em sua própria prisão mágica, foi a condição que a personagem precisou para entender o mal que ele causará a todos a sua volta.
A violência doméstica é um ato que deve ser discutido, assim como os outros tipos de violência, e que sempre há uma violência que muitas vezes não percebemos, não existe brincadeira, piadas sobre isso, é um assunto que é vivido por milhares de pessoas, e quando a criança lê um livro infantil que fala sobre violência, ela deve perceber o que é certo e o que é errado...A criança sente a necessidade de falar e compreender que ao  se expressar nós a ouviremos com carinho e afeto, esse é o maior valor da literatura infantil, é poder transmitir todo esse cuidado através de histórias, e falar sobre o perdão  em "Um dia de fada" , é  poder dizer à criança que perdão não pode significar normalizar a violência mas deve significar a cura e renovação a começar por nós mesmos.  O perdão deve dar significado "isso não pode mais se repetir" ,por ninguém. O outro, o causador da violência deve entender que é preciso ser responsabilizado, e que o perdão é apenas um ato de compaixão e não de aceitação ou mesmo "está tudo bem", porque não é assim a justiça entende. E tudo isso deve ser sempre muito bem entendido pelo mediador para a compreensão da criança, porque a criança sempre se expressa, seja através de palavras, gestos ou mesmo a falta deles... Toda comunicação tem o seu jeito, mesmo que pareça invisível. Se a criança não fala, o corpo dela fala... De alguma forma...
Um dia de fada, tem um final feliz, porque eu achei necessário dar continuidade a essa história.

10 - Se “Um Dia de Fada” pudesse chegar hoje às mãos de uma criança que vive uma situação difícil dentro de casa, o que você gostaria que ela sentisse ao fechar a última página?
 
Marina- Como escritora, ser lida é uma grande recompensa, e uma criança que vive numa situação no seu lar com violência doméstica jamais deve ser ignorada.
Um dia de fada, é um livro para trazer esperança, para as crianças se sentirem amadas e cuidadas, o mais importante é sentir que essas crianças estão sendo ouvidas, e tratadas com respeito.
Nenhum trabalho é mais importante que o outro, só precisamos respeitar que cada um tem seu papel no mundo .
Escrever livros infantis, é o meu ato de amor para essas crianças, e fazer com que elas se sintam amadas e que elas se amem como elas são, isso é minha motivação.
A minha maior alegria é saber que uma criança que lê  o meu livro sinta esse cuidado, esse amor, que ela tenha esperança e  possa sentir em algum momento a alegria de ser ela mesma, e que o mundo pode acolhe-la  com esse amor!!!
Desejo que uma criança que vivencie alguma violência possa se expressar, possa ter alguém com quem possa contar e se apoiar... 
Eu gostaria que nenhuma criança se sentisse sozinha ou desamparada, então, eu desejo aos pais, professores, cuidadores, que possam levar às nossas crianças toda a paz que elas merecem, que cuidem e cultivem o melhor que essas crianças têm, e melhorem-se para que essas crianças tenham bons exemplos a serem seguidos.

Paulo freire e a literatura infantil - parte 3

 


A leitura da obra de Paulo Freire "Pedagogia do oprimido", o que o levou à um exílio político, a pedagogia que nos incita a nos tornarmos donos de nossos próprios pensares.

A leitura que faço desse gigante livro que nos fortalece enquanto ser humano que somos é sobre a luta diária sobre a nossa liberdade de pensar, de agir, indo de encontro à práxis.

Somos fortes quando pensamos por nós mesmos, sem interferências dos pensares que nos oprimem, a pedagogia do oprimido é exatamente uma pedagogia da liberdade de pensamento, a pedagogia que nos ensina a pensar, a buscar conhecimento sempre.

Durante a ditadura militar no Brasil nos ensinou através da pedagogia bancária, quer dizer, vão fazendo depósitos de conhecimento sem nos ensinarem a criticarem o que aprendíamos, logo, era lições decoradas, amontoados de questionários com respostas já pré-existentes, muito cômodo para os governantes da época, afinal, quem não pensa por si só, aceita com facilidade o que é sugerido pelas grandes massas, e por si pensa a grande maioria o que lhe é imposto pelo opressor...

Um exemplo da educação bancária é sobre os povos originários, na escola nos ensinaram que os indígenas não foram escravizados porque eram preguiçosos, mas fora uma mentira que foi ensinado há gerações, assim como a nossa história escravocrata, nos ensinaram que o Brasil foi descoberto, mas foi invadido pelos europeus, á existiam milhares de tribos dos povos originários, que por eles denominado Pindorama, e depois fora denominado como Brasil pelos portugueses, enfim, nos ensonaram história do Brasil através do olhar do colonizador, portanto, a nossa história está sendo agora amplamente estudada, é através dos estudos de historiadores que estamos nos redescobrindo, a contribuição da África na nossa cultura, a cultura dos povos originários que foi inserida também construindo assim a nossa própria cultura, por isso a importância da ressignificação da nossa história.

Paulo Freire se negou a negar-se e aprendemos com ele que escrever é um ato revolucionário.

A literatura infantil hoje com um espaço expandido além de Monteiro Lobato este que já é alvo de estudo enquanto obras com grande teor racista e pensamentos com foco eugenista , logo, estamos mais pensadores do que nunca, é a cultura nos levando a nos encontrar enquanto seres humanos.

A literatura infantil é uma ferramenta para a educação de nossas crianças, é por meio da literatura que podemos contribuir para uma propaganda para o pensamento crítico , criando crianças protagonistas de suas próprias histórias, é pela imersão que podemos ajudá-las na construção de suas personalidades, sejam elas mais críticas e autoestima suficientes para pensarem em si como seres em constante construção.

Trabalhar o autoconhecimento de nossas crianças contribuem para as suas ações solidárias, dissolver a violência que é replicada na educação , devemos nos atrever a pensar no outro com um olhar empático, sejamos mais pacíficos na educação, focados numa educação inclusiva.

Quando Paulo Freire nos revela a sua metodologia, ele nos ajuda a pensarmos na liberdade  com a liberdade que nos é negado por tantas gerações, na nossa luta interna e social que devemos nos afeiçoar, não há momento presente para a acomodação.

Despertemos para um mundo amplo além do que aprendemos na escola, a escola tradicional já não cabe na atualidade, é preciso repensarmos nas dinâmicas de nossas escolas, há momentos em que o pensar diferente do convencional é primordial para as mudanças que devem vir, a educação não deve ser tratada como algo como encher um recipiente, é mais do que ensinar, é ensinar a pensar.

Não podemos terceirizar a nossa educação porque a educação familiar é a primeira a ser lida pelas crianças como formadora de sua personalidade, é a educação familiar que as direcionam para valores morais e de como se comportam em seus meios sociais, é de onde gera preconceitos ,e valores que a sustentarão  suas vivências,  mas lembremos de como surgiu a educação brasileira, portanto, nós professores da educação infantil e educação básica servimos de apoio à educação familiar, logo, o educadores somos todos nós, daí a preocupação de educadores e tensão contínua para educar as crianças num caminho de amor e afeto.

A literatura infantil também se fortalece na esperança nessa educação e no crescente mercado literário, afinal, o governo federal é o maior comprador de livros infantis, portanto, um mercado abrangente.

Escrever para o público infantil é estar ciente da responsabilidade moral e social dos que estão começando se sentirem pertencentes no seu espaço familiar e escolar, ainda estão vulneráveis, a literatura infantil nutre seus pensamentos, logo, a nossa responsabilidade enquanto escritores nos coloca como colaboradores na formação de nossa sociedade e de uma geração mais crítica.



sábado, 10 de outubro de 2026

Lançamento do livro UM DIA DE FADA...




Dia de lançamento, é hora de escrever !!!

 Atos confessados, a vida está me deixando palavras soltas.

A literatura me trouxe a vida, escrever é a minha terapia .

É de onde as minhas histórias fantásticas criam vidas.

Depois de Um dia de fada....

A vida deu laços e eu me entreguei às minhas antigas inspirações.

Ser uma fada, uma bruxa, sereia ou rainha, tudo é tão mágico dentro das palavras encantadas em livros infantis.

Todas as personagens são vivas dentro de nós.

Paulo Freire me inspira dentro da educação que escolhi acolher.

Cada canto , cada sorriso criado depois da história, cada lágrima sentida antes de dormir.

Somos criaturas criando sonhos, histórias que também inspiram.

A literatura infantil é a ferramenta da educação infantil.

Durantes as tempestades vividas dentro das crianças se curam com histórias.

São letras, sons e sensações na educação infantil que perpetuam nos corações ansiosos por viver.

Não tem um final feliz , nem tristes fins, apenas histórias que nos constroem.

Letras e sons, são canções de fadas, bruxas, reis , rainhas, contos, mitos e parlendas.

O que tem para hoje senão uma nova história para contar?





Diário de Bruxa!!!

 


Um sentimento cresce forte dentro de mim.

  Que me deixa leve.

 Meus calcanhares firmes no chão  me impulsionam a dançar.

 De meus dedos surgem luzes que radiam pelo meu corpo.

 É de mim que surgem as luzes que me acolhem.

 É do meu desejo que surge toda a esperança.

A paz invade meu corpo e espírito.

É a esperança que não muda por dentro.

Escrevo num pequeno pedaço de papel o meu desejo mais profundo.

Queimando  diante da lua crescente, meu desejo é selado.

As luzes das velas permanecem acesas dentro de mim.

O meu livro reflete a luz da lua, incenso aceso tem aroma de sálvia.

Pequenos cristais enfeitam meus cabelos.

Um círculo mágico, um pentagrama e meu coração ...

As fadas soam como sinos.

A bruxa em mim saúda a fada que também existe em mim.

Duas mágicas coroam a minha noite.



 

Fique sabendo mais!!!!!

Seres alados!!

Seres alados!!
Somos alados quando temos boas atitudes.As minhas asas quebram quando minto, perco penas quando fico triste mas nunca perco a fé porque sei que vou voar para a eternidade.
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