Não foi direto, foi conquista.
Quando traçamos uma linha do tempo, o que conseguimos ver, é a nossa história, que não é assim tão longa.
Vamos ver, o Brasil foi "descoberto" invadido em 1500, por quê invadido, porque aqui já existiam os povos originários, os quais chamamos de índios por muito tempo, enfim, para explorar o território trouxeram os africanos, porque trabalhavam num regime de escravidão, até 1888, o capitalismo foi cruel , usou e abusou desse trabalho, lembrando que, a estimativa de vida dos escravizados eram de novembro anos, o estupro, os maus tratos eram parte da "educação", ou seja, para não se revoltarem, a base dessa educação era no chicote, na mais pura violência, surgindo o racismo contra os escravos, a violência aumentava , surgindo tantos preconceitos não há de se estranhar que continua sendo assim, afinal, a escravidão acabou tem povo tempo, e logo veio surgindo outros problemas que alguns não querem enxergar, a desigualdade social, lembra o que é o capitalismo?
Pois bem, a escravidão é o cúmulo do capitalismo, e de onde veio a riqueza das grandes nações europeias, desde que nos conhecemos por civilização, temos a escravidão como instrumento de poder, logo, a mão de obra barata é depois da escravidão, a moeda mais fácil para o enriquecimento dos que há muito tempo já possuía benefícios.
Quando a mulher foi vítima do capitalismo?
Desde que descobriram que nossos corpos são moedas, desde a natalidade para nascimento de meninos soldados, quando o prazer masculino foi prioridade e não a comunhão dessas energias, quando existe a herança, os dotes, quando a mulher vive sua vida inteiramente para cuidar do lar e da família, dando ao homem total autonomia para cuidar de seus bens, quer dizer, a mulher era e ainda é em algumas nações uma moeda de troca.
Seus corpos recipientes onde se gera a vida, não como um ser , mas como um novo produto, para ser mais clara, o corpo da mulher sempre foi visto como uma propriedade.
E a sociedade sempre cumpriu essa lei de compra e venda do corpo feminino, e quando a mulher é autêntica, sábia, autônoma, sendo ela dona de si, é dada como bruxa, histérica, dada como doente, já que era tratada como tal, queimadas nas fogueiras da inquisição, a mulher e o seu corpo foi sendo subtraído até que é dado um grito através do feminismo, e então, seus direitos conquistados por meio de lutas.
Não é uma luta contra os homens, mas contra o patriarcado, logo, contra uma ideia não apenas religiosa mas puramente política.
O Brasil também comprou esse ideia, logo a invasão dos europeus, afinal, uma política escravocrata, não haveria de se estranhar, mas o tempo corre devagar, e os direitos da mulher foram suprimidos até que chegamos nos tempos modernos com alguns poucos direitos, refletindo sobre, até por questões econômicas a mulher só teve suas conquistas por causa da sua necessidade de viver, acumulando tarefas, não foi a necessidade de trabalhar, foi a necessidade de sobreviver, a mulher que busca conhecimentos, é uma mulher liberta, mesmo com todas as conquistas, ainda vivemos para sobreviver, o feminicídio não é uma palavra inventada, é uma realidade vivida , e só pode ser sentida, por ela mesma.
A mulher não é um corpo vazio e por isso, é oprimida e sofre simplesmente por ser mulher.
O Brasil escravocrata não só aprisiona pessoas, ele perpetua ideias até hoje, foram mais de 300 anos abusando de uma população já sofrida.
Se o trabalho feminino se estende além do lar, subtende-se que a mulher trabalha mais , além do que compreendemos, mas sempre foi assim, a mulher sempre tem sido julgada por ser mulher, enquanto isso, a necessidade de suprir tudo, acaba nos fazendo sermos quem somos mesmo não querendo ser, a sociedade sempre cobra da mulher o além.
O corpo feminino não é uma máquina reprodutora, e quando a nossa escolha não condiz com o que a sociedade patriarcal pensa, somos bruxas, simplesmente por pensar e expor nossas ideias.
Nós podemos escolher quem queremos ser, é uma opção exclusiva nossa, as nossas escolhas sobre o nosso corpo deve ser fruto das nossas escolhas, não o que a família ou homens esperam de nós.
A maternidade é cansativa, uma missão eterna, não estou dizendo que é ruim, mas não é fácil, isso não nos tira o direito de sermos quem somos, de buscarmos a nossa satisfação pessoal.
A evolução é inevitável, mas sabemos que as nossas conquistas não foram fáceis para conquistar, foi na base de lutas e revoltas, caso contrário ainda estaríamos sendo escravos dos senhores de engenhos, não haveria nenhuma evolução.
As mulheres nasceram para serem livres, assim como os demais, mas por que somos tão sacrificadas?
Porque somos fortes e independentes, sabemos do nosso poder pessoal, unidas nos tornamos mais fortes .
Nikolas Ferreira num debate com uma feminista disse com um tom de superioridade "mas os homens foram para as guerras" sim, foram para guerra, e as mulheres ficaram onde? As crianças, idosas? Ficaram no espaço esperando as guerras acabarem?
Não, ficaram em seus lares, trabalhando, a procura de sustento, ou acham que elas viviam só de ar?
Ir contra o feminismo quando se tem todos os direitos adquiridos é muito fácil não é?
Somos todas mulheres, pobres das mulheres afegãs, pobres que solitárias vivem as suas dores , muitas vezes sem nenhum auxílio, portanto, todas comungamos as dores femininas, e devemos estarmos juntas quando sofremos.
O amor é a força que nos mantém vivas, a alegria de sermos nós mesmas nos trazem mais sabedoria.
Quantos mitos que conhecemos definem as mulheres com heroísmo, outras como vilãs, ou simplesmente como escravas , a nossa história já é contada sem nosso protagonismo, sem a verdade que vivemos, agora é hora de conhecermos a nossa própria história, deixar as máscaras caírem do patriarcado, afinal, os nossos corpos são nossos , geramos a vida e como tal, devemos ter direito de permanecermos sendo quem somos e não para sermos suprimidas, sermos caladas.





